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Doação: recurso a esperma ou ovócitos de dador

Os mais recentes estudos científicos sobre a prevalência da infertilidade apontam para que 8 a 15% dos casais em idade reprodutiva não consiga uma gravidez no espaço de 1 ano. Mas, apesar de todos os avanços médicos e científicos há situações que não podem ser resolvidas mediante a utilização de gâmetas próprios. Para uma pequena percentagem de casais, ter um filho só é possível com recurso a gâmetas doados – esperma ou ovócitos de dador.

A fertilização com recurso a doação de esperma acontece, essencialmente, quando predominam fatores de infertilidade masculinos:
• Azoospermia total (ausência comprovada de espermatozoides no sémen ejaculado e no tecido testicular)
• Anomalias cromossómicas genéticas que possam ser transmitidas ao embrião
• Doença genética com risco de transmissão ao embrião
A fertilização com recurso a doação de ovócitos acontece, essencialmente, quando predominam fatores de infertilidade femininos:
• Baixa reserva ou esgotamento da capacidade ovárica
• Menopausa precoce
• Mulheres que foram submetidas a cirurgia ou a tratamento oncológico
• Situações de alterações cromossómicas genéticas que possam ser transmitidas ao embrião

 

IIU + Doação de espermatozoides
A inseminação intrauterina (IIU) com doação de espermatozoides é uma conduta terapêutica que é proposta ao casal quando a causa de infertilidade identificada é masculina, nomeadamente perante a ausência de produção de espermatozoides (azoospermia) ou perante o risco de anomalias cromossomáticas. O processo é em tudo idêntico ao da inseminação intrauterina com sémen do marido. Neste caso, após a receção e preparação do sémen do dador, inicia-se a estimulação ovárica na mulher para posterior introdução dos gâmetas masculinos previamente selecionados.
FIV + Doação de espermatozoides
A Fertilização In Vitro (FIV) com recurso a doação de espermatozoides é proposta quando se coloca um problema de infertilidade relacionado com a ausência ou má qualidade dos gâmetas, ou com o risco de transmissão de uma doença genética, ou existência simultanêa de um fator de infertilidade feminino. O procedimento é idêntico ao efetuado com sémen próprio: a mulher é submetida a estimulação ovárica e os ovócitos assim obtidos são colhidos mediante punção. Em ambiente laboratorial, procede-se depois à inseminação com o sémen de dador. Os melhores embriões daí resultantes são introduzidos no interior do útero materno, aguardando-se a sua implantação e consequente gravidez. No caso de existirem embriões remanescentes, estes são congelados, o que permite uma futura utilização se necessário e sem que a mulher tenha de ser novamente submetida a estimulação hormonal e respetiva punção.
FIV / ICSI + Doação de ovócitos
A Fertilização In Vitro (FIV) com recurso a doação de ovócitos é um procedimento normalmente recomendado a mulheres com uma baixa reserva ovárica ou mesmo esgotamento dessa capacidade, por exemplo, devido à idade ou a alguma patologia subjacente. Os ovócitos doados são incubados em ambiente laboratorial, com os espermatozoides do elemento masculino do casal, permanecendo em cultura durante o processo de desenvolvimento embrionário. Uma vez obtidos embriões maduros, procede-se à transferência de 1 a 2 para o útero, aguardando-se a implantação e consequente gravidez.
A micro-injeção de gâmetas (ICSI) com recurso a doação de ovócitos é uma técnica indicada, sobretudo, quando há um fator de infertilidade masculino ou sucessivos insucessos na fertilização in vitro, sendo o procedimento em tudo idêntico ao da micro-injeção com ovócitos da própria mulher. Assim, os espermatozoides do marido são injetados individualmente nos ovócitos doados com o intuito de aumentar as possibilidades de fertilização. Após a formação de embriões, procede-se à seleção dos melhores para posterior transferência para o útero.

 

FAQS
Como se processa a identificação do esperma ou dos ovócitos para doação?

O esperma ou ovócitos doados são selecionados de acordo com o fenótipo do recetor, ou seja, segundo as suas características físicas visíveis. O recetor preenche uma ficha que, depois de analisada pela clínica, servirá de suporte à identificação de um dador que corresponda às características pretendidas.

Quanto tempo terei de esperar para se identificar um(a) dador(a)?

A clínica procurará encontrar um dador com o perfil previamente estipulado no prazo de 1 mês, ou uma dadora num prazo de 3 a 6 meses.

É feita uma avaliação do historial clínico do dador(a)?

Sim, o historial clínico do dador(a) é avaliado de forma a garantir que todos os parâmetros são preenchidos. Os dadores são ainda sujeitos a todos os processos que o recetor(a) seria sujeito no caso de um tratamento sem recurso à doação.

A confidencialidade do dador(a) é garantida?

Sim, em termos legais a clínica é obrigada a preservar a confidencialidade do dador(a).

Em termos legais, é possível que o dador(a) seja um familiar?

Não, em termos legais essa opção não é possível.

Os custos da doação estão incluídos nos custos totais de cada um dos tratamentos?

Não, os custos relativos à doação deverão ser adicionados ao preço dos tratamentos sem recurso à doação. Estes mesmos custos podem variar e não incluem a obtenção de espermatozoides, o estudo e a avaliação da dadora e a medicação tanto da dadora como da recetora.

 

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