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Medicamento para a asma promissor no tratamento de eczema atópico

Publicado no New England Journal of Medicine e desenvolvido entre os Estados Unidos e a Europa, o estudo foi dividido em quatro ensaios com grupos e duração distintos. Todos eles envolveram pacientes adultos com dermatite atópica moderada a severa. Os participantes aos quais foi administrado dupilumab por via subcutânea apresentaram resultados positivos no controle dos sintomas e evolução da patologia. Dois estudos, em monoterapia, acompanharam um grupo de pacientes durante quatro semanas e apresentaram resultados rápidos nos indicadores clínicos e biomarcadores. O terceiro estudo, de 12 semanas com monoterapia, confirmou os resultados anteriores com 85 por cento dos pacientes do grupo com dupilumab a apresentarem uma redução de 50 por cento no sistema de avaliação de gravidade do eczema atópico (EASI- Eczema Area and Severity Index). O quarto estudo, realizado na Europa e já de fase II, incluiu uma terapia combinada de dupilumab e glucocorticoides tópicos durante quatro semanas e revelou resultados superiores ao tratamento standard, tanto na diminuição das lesões cutâneas, como nos sintomas associados, nomeadamente o prurido que afeta de forma substancial a qualidade de vida destes pacientes.

A descoberta

As conclusões deste estudo apontam para vantagens no uso de dupilumab no tratamento de eczema atópico moderado ou severo, tanto como monoterapia como combinado com outras terapias existentes. Este dado segue uma linha de investigação na qual foi identificada uma dupla de fatores desencadeantes comuns entre a asma alérgica e o eczema atópico – interleucina 4 e 13 – indicando que estas patologias podem beneficiar da mesma abordagem terapêutica. “Dupilumab pertence a um grupo de novos medicamentos ditos biológicos que têm representado um avanço enorme na terapêutica em Dermatologia. Estes fármacos atuam em alvos muito específicos da resposta imunológica, neste caso, bloqueando citocinas (interleucina 4 e 13) que têm um papel significativo no desvio da resposta imunológica que se verifica no eczema atópico”, explica Margarida Gonçalo, professora de Dermatologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Desenvolvido inicialmente para a asma, o dupilumab tem mostrado, compara, “elevada eficácia no eczema atópico, em oposição a outro medicamento para a asma, o omalizumab, que revelou ser pouco eficaz no eczema atópico, mas altamente eficaz no tratamento de outra patologia cutânea, a urticária crónica”.

O que traz de novo

Na opinião de Margarida Gonçalo, “esta e outras descobertas semelhantes têm permitido melhorar os conhecimentos sobre o funcionamento da pele em situações de doença (e mesmo da pele saudável) e têm trazido potenciais armas terapêuticas para os doentes com formas mais complicadas destas patologias não controladas com as terapêuticas clássicas. Algumas delas poderão mesmo vir a ocupar, num futuro relativamente próximo, um lugar de destaque no conjunto de terapêuticas ao alcance do dermatologista.” Nestes estudos, destaca a especialista, “Dupilumab conseguiu uma melhoria substancial e rápida dos sinais clínicos e sintomas do eczema atópico (não a sua cura), com uma redução do prurido para o qual temos poucas armas terapêuticas eficazes e que é, sem dúvida um sintoma que muito prejudica a qualidade de vida destes pacientes”.

Eczema em Portugal

Atualmente, o cenário desta patologia no nosso país está marcado por desafios. “Em Portugal, o eczema atópico e as complicações/patologias que lhe estão mais frequentemente associadas (infeções cutâneas) representam o principal motivo de consulta em Dermatologia Pediátrica e são cada vez mais frequentes os casos no adulto, alguns de muito difícil tratamento e para os quais, por vezes, não temos mais “armas terapêuticas”, refere. Nesse sentido, a dermatologista acredita que “o dupilumab poderá colmatar esta falha se os estudos futuros confirmarem os resultados de fase II”. Regra geral, o tratamento deste problema engloba cuidados diários – lavagem suave e hidratação cuidada – e “o uso de corticosteroides ou imunomoduladores tópicos, nas formas mais graves complementados com imunomoduladores orais”, exemplifica. Apesar da ausência de dados sobre a incidência desta patologia em Portugal, a dermatologista estima que, “à semelhança dos países europeus, é possível que cerca de dez por cento da população, em qualquer altura da sua vida, possa ter manifestações de eczema atópico.”

Fonte: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1314768

Prof. Doutora Margarida Gonçalo

Prof. Doutora Margarida Gonçalo

Professora assistente convidada de Dermatologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Consultora em Dermatologia nos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Presidente da Sociedade Europeia da Dermatite de Contacto (European Society of Contact Dermatitis www.escd.org), entre 2012 e 2014.

Autora de diversos trabalhos científicos e artigos publicados em revistas da especialidade nacionais e internacionais.

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