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O despertar da adolescência

Aquela que pode ser considerada a fase mais rica da vida está marcada por profundos desafios para os filhos e para os pais. Estar informado sobre as alterações fisiológicas e psicológicas que podem surgir é fundamental para garantir que os laços saem fortalecidos desta prova de fogo e que as portas permanecem abertas ao diálogo.

 

Quando começa a adolescência?

A resposta a esta questão não é fácil, explica Hugo de Castro Faria, pediatra especializado em Medicina do Adolescente: “Parece-me que atualmente a definição mais aceite é a de que corresponde ao período entre os 10 e os 18 anos e, para alguns autores, até aos 21 anos, sendo dividida em três fases: adolescência precoce ou pré-adolescência (entre os 10 e os 13 anos), adolescência média (entre os 14 e os 16 anos) e tardia, acima dos 17 anos”. A maturidade biológica antecede a psicológica, por isso os primeiros sinais da adolescência surgem no corpo e só mais tarde no comportamento.

 

O que muda?

Quase tudo. A entrada na puberdade corresponde a um crescimento significativo, não só em estatura (regra geral, mais cedo no sexo feminino) como a vários níveis do organismo – aumento das células e ligações cerebrais ou formação da massa óssea – e ao desenvolvimento dos carateres sexuais secundários.

Pilosidade, alterações na massa muscular e na massa gorda são as transformações mais visíveis, mas existem outras como a acne ou transpiração, associadas às mudanças hormonais.

“No rapaz há um significativo aumento da massa muscular, desenvolvimento de pelos com a distribuição típica do homem adulto e aumento do pénis e testículos, bem como alterações do aparelho reprodutor. Na rapariga ocorre desenvolvimento da mama, desenvolvimento muscular (não tão marcado como no rapaz), desenvolvimento de pelos com a distribuição típica da mulher adulta, alteração da distribuição da gordura corporal para uma distribuição típica da mulher e desenvolvimento do aparelho reprodutor (assinalado pelo início do ciclo menstrual) ”, explica o pediatra.

 

Falar de sexualidade é preciso

A transformação que se dá nesta fase interfere na forma como o adolescente se vê (e vê os outros) e um tema ganha relevância: a sexualidade. “As alterações morfológicas da puberdade despertam habitualmente uma curiosidade progressiva no adolescente. Ao longo das primeiras manifestações da puberdade nota-se um crescente interesse pelo corpo, que desencadeiam comportamentos exploratórios e uma preocupação crescente com a autoimagem. Após esta fase exploratória inicial, inicia-se o interesse e curiosidade pelo sexo oposto, seguido das primeiras experiências e interações sexuais”, explica Hugo de Castro Faria.

Estas etapas fazem parte do desenvolvimento da identidade sexual, “um processo de grande importância” mas que gera crises e múltiplas problemáticas. A falta de diálogo entre pais e filhos é “um erro frequente e potencialmente grave” alerta o médico.

 

Na mente de um adolescente

Na opinião de Hugo de Castro Faria, “provavelmente as mais importantes mudanças que ocorrem nos adolescentes são do foro psicossocial”. Manifestam-se a três níveis – identidade, autonomia e pensamento abstrato – e compreendê-los “é fundamental para interpretar os momentos de crise dos adolescentes”, defende.

A referência deixa de ser apenas a família, o leque de contactos sociais alarga-se, bem como as influências. A busca de autonomia prepara a transição para a idade adulta, mas nem sempre é fácil.

“Não é raro encontrarmos dificuldades e disfunções, seja por resistência dos pais em perder o controlo da vida dos filhos, seja pela impaciência do jovem que encara o processo da autonomia como algo lento. Numa fase tardia da adolescência há uma redução da importância do grupo de pares, surgem as primeiras relações a dois e uma certa ‘pacificação’ da relação com os pais”, comenta o pediatra. Quanto ao pensamento abstrato, competência vital na idade adulta, a evolução vai sendo gradual ao longo da adolescência.

 

Comportamentos de risco

Na busca da identidade e independência, o adolescente tenta traçar o seu caminho. “Este processo implica muitas vezes comportamentos exploratórios e de experimentação”, observa o pediatra, e deve ser acompanhado pelos pais, “procurando minimizar o risco de comportamentos perigosos e que possam colocar em risco a vida, a saúde e a segurança.” De acordo com a sua experiência, é frequente ver em consulta “perturbações depressivas, comportamentos suicidários e de automutilação, perturbações de ansiedade, perturbações do comportamento alimentar, a problemática dos hábitos de consumo, da violência e bullying e comportamentos de risco (sexual, consumos, na estrada, entre outros).

Podemos encontrar estas situações durante a adolescência em ambos os sexos, contudo são mais frequentes nas raparigas as perturbações do comportamento alimentar, de ansiedade e as situações de automutilação. Os comportamentos violentos verificam-se habitualmente entre rapazes”, refere o médico. “Começa-se a ver situações de dependência em redes sociais e videojogos com gravidade relevante. O cyberbullying é uma outra problemática de grande dimensão,” alerta Hugo de Castro Faria.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.

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