Blog Post

Não consigo respirar!

O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)?
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença crónica das vias respiratórias (pulmonar) caraterizada por uma limitação à saída do ar dos pulmões (obstrutiva) que não é completamente reversível e que agrava progressivamente ao longo do tempo (crónica). O conceito inclui duas entidades que frequentemente coexistem: a bronquite crónica – inflamação dos brônquios e o enfisema – lesão das pequenas vias aéreas e dos alvéolos dos pulmões. A doença é mais frequente acima dos 40 anos mas também pode ocorrer em indivíduos mais jovens.

Causa de mortalidade
Trata-se de uma doença comum, dispendiosa e que pode ser prevenida mas, frequentemente, não reconhecida. A maioria dos doentes pensa que tem asma, bronquite crónica ou enfisema. É também uma doença responsável por uma marcada taxa de mortalidade e incapacidade. Na Europa, as doenças respiratórias representam a 2ª causa de mortalidade, incidência, prevalência e custo, logo depois das doenças cardiovasculares.

Que fatores estão na origem desta doença?
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) não é uma doença contagiosa. A principal causa da doença é o tabaco pelo que as pessoas que têm Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) são na sua maioria fumadores ou ex-fumadores. Esta situação resulta da inflamação crónica das vias aéreas causada pelo fumo do tabaco. É importante mencionar que a exposição passiva ao fumo do cigarro também pode contribuir para o aparecimento de queixas respiratórias e comprometer a função respiratória das crianças em idade escolar. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) também pode ocorrer em pessoas muito expostas a ambientes empoeirados ou com fumos/vapores (ex. fogões de cozinha, aquecedores, lareiras), apesar de o risco ser inferior ao do tabagismo.

Quais os sinais de alarme?
Os principais sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) são a sensação de falta de ar/cansaço fácil, tosse e/ou expetoração com evolução arrastada. Habitualmente, o “catarro do fumador” costuma ser a queixa inicial e depois, ao longo do tempo, assiste-se a uma sensação de falta de ar de agravamento progressivo para esforços cada vez menores. Há também a tendência para as infeções respiratórias serem mais frequentes. À medida que a doença progride, torna-se mais grave, fazendo com que não chegue oxigénio suficiente aos pulmões e consequentemente ao sangue, o que pode originar problemas cardíacos.

Doença silenciosa
Apesar de os sintomas mais comuns da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) serem conhecidos, na maior parte dos casos, esta é uma doença silenciosa. Os doentes não apresentam queixas ou, durante vários anos, ignoram a tosse ou a sensação ligeira de falta de ar. Como tal, a maioria dos doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) só consulta o médico quando apresenta dificuldade respiratória que incapacita a realização das suas atividades de vida diária. Esta situação representa um diagnóstico realizado numa fase tardia da evolução natural da doença.

Como se diagnostica?
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é diagnosticada através de um simples teste respiratório conhecido por Espirometria, que mede a velocidade com que o ar sai dos pulmões. Este teste é fácil e indolor.

Como se previne e altera o curso da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)?
Parar de fumar numa fase inicial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) pode fazer toda a diferença. Qualquer lesão que o fumo do tabaco tenha causado aos pulmões de um fumador já não pode ser revertida, mas deixar de fumar previne a maior gravidade da doença em qualquer fase. Afaste-se de ambientes com muito fumo e cozinhe próximo de uma janela ou de uma porta aberta para que os fumos e os cheiros fortes possam sair. Se tem lareira, mantenha uma porta ou uma janela ligeiramente aberta.

Como se trata a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)?
Nunca é demais repetir: a primeira medida a tomar é parar de fumar! Esta é a medida mais importante. O tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é feito através de inaladores semelhantes aos utilizados pelos asmáticos, popularmente conhecidos por “bombas”. Um inalador é um dispositivo que permite a administração direta dos medicamentos sob a forma de pó ou aerossolizados ao aparelho respiratório. Existem dois tipos de medicamentos administrados através dos inaladores, os broncodilatadores, que dilatam as vias respiratórias e os anti-inflamatórios que, por pertencerem ao grupo da cortisona, provocam receio em alguns doentes. Porém, pela pouca quantidade inalada e pelo facto de ser administrada diretamente no aparelho respiratório, são muito pouco frequentes os efeitos secundários.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) em fase avançada
Nesta fase, a quantidade de oxigénio que existe no ar ambiente é insuficiente para as necessidades do organismo e poderá estar indicada a utilização de oxigénio através de uma botija que fornece uma maior quantidade deste gás.
Para além destas medidas terapêuticas, existem outras a utilizar de acordo com cada caso, consoante a indicação do pneumologista assistente.

Profilaxia
Todos os doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) têm indicação para realizar anualmente a profilaxia das infeções respiratórias, através da vacina da gripe e de comprimidos com lisados bacterianos. Está também indicada a vacina do pneumococos, bactéria mais frequentemente responsável por pneumonias, que é administrada uma vez com eventual reforço após 5 anos.
Para viver melhor, o doente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) deve aprender ginástica respiratória, praticar exercício de acordo com as suas capacidades e ter uma dieta equilibrada. Estas medidas visam o fortalecimento dos músculos do organismo, sobretudo os respiratórios, de forma a evitar a deterioração da qualidade de vida que resulta da incapacidade de realização das atividades de vida diária.

Saiba mais…
Deixar de fumar não precisa de ser um processo “doloroso”. Atualmente, estão disponíveis várias formas medicamentosas (comprimidos, pensos cutâneos e pastilhas) que ajudam a ultrapassar as queixas de privação de nicotina, facilitando a desabituação tabágica. O primeiro passo a tomar é marcar uma data para deixar de fumar e avisar familiares e amigos que o vai fazer

Posso ter Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)?
Responda “sim” ou “não” às seguintes questões:

  1. Tem tosse várias vezes ao dia, a maior parte dos dias?
  2. Tem expetoração quase todos os dias?
  3. Sente que se cansa, ou tem falta de ar, mais facilmente que as pessoas da sua idade?
  4. Tem mais de 40 anos?
  5. Fuma ou já fumou?

Se respondeu “sim” a pelo menos três perguntas, deve consultar um médico pneumologista. Não se esqueça que, se a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) for diagnosticada numa fase precoce, podem ser tomadas medidas para prevenir o agravamento da lesão pulmonar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos relacionados

Cuidados paleativos
A importância dos cuidados paliativos pediátricos

Os cuidados paliativos exercem um papel essencial para amenizar o sofrimento da criança e

Alimentação saudável e dietas específicas na prevenção cardiovascular

A alimentação é hoje reconhecidamente um dos fatores mais importantes para a prevenção cardiovascular

Diabetes: o que fazer para prevenir complicações

Cerca de 40% das pessoas com diabetes têm complicações da doença que, muitas vezes,

Mindfulness: foque-se no presente

Ser mais positivo, focar-se mais no presente e viver o momento. Estas são premissas

rir, sorrir, rir com saúde, dicas de higiene dentária
Rir com Saúde

Já que falamos de ano novo, porque não começá-lo a sorrir? A 18 de

Crianças e inverno: o que fazer para as proteger?

Tem filhos? Então, este guia é para si. O Inverno é a época do

Amamentar: conselhos práticos

Sabia que a amamentação imediata – colocar o bebé ao peito da mãe uma

Saúde oral, saúde total

Se quer ter uma saúde de ferro, comece por cuidar bem dos seus dentes,

Menopausa: Uma transição serena

Está associada ao envelhecimento, mas inaugura uma etapa da vida da mulher que, muitas

O despertar da adolescência

“Idade do armário” – A expressão não tem fundamento científico mas resume de forma

10 conselhos para um regresso ao trabalho saudável

Depois das férias é tempo de retomar rotinas, o que nem sempre é fácil.

Vem aí o inverno! Defenda-se

Abel García Abejas, especialista em Medicina Geral e Familiar no Hospital CUF Descobertas aponta

obesidade
O peso da obesidade

A obesidade não afeta apenas a zona do corpo onde está mais visível, mas

Osteoporose: prevenir enquanto come

A alimentação pode ser um importante aliado na prevenção da osteoporose. No entanto, é

8 perguntas e respostas sobre esclerose múltipla
8 perguntas e respostas sobre esclerose múltipla

Imagine que o seu sistema imunológico ataca um pilar essencial da saúde do seu

Os primeiros meses do bebé

Acaba de ser mãe e tem muitas dúvidas? Neste dossier vai encontrar tudo o

cuidados paliativos
“Os cuidados paliativos deram uma segunda vida à minha avó”

Os cuidados paliativos ajudam a proporcionar algum conforto e bem-estar a quem vive em

Diabetes na Infância e na Adolescência

Até há alguns anos, a diabetes tipo 1 era a mais comum em crianças

Diabetes a doença silenciosa

Considerada (erradamente) por muitos a mera consequência do consumo excessivo de açúcar ou do

prevenção de diabetes
Diabetes: a prevenção começa à mesa

Nem sempre é possível evitar a diabetes, mas cabe a cada um de nós

O banho e a amamentação

O banho, a amamentação, os periodos em que o bebé está acordado…tudo é encanto