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Prevenir as infeções respiratórias

Existem inúmeras infeções respiratórias desde constipações à pneumonia e cada uma delas diferem entre si. Saiba como tratar de cada uma delas e como deve preveni-las.

 

A crescente importância das doenças respiratórias faz da prevenção um dos aspetos fundamentais na saúde, no momento atual e futuro.

As infeções respiratórias são um leque muito variado de situações infeciosas causadas maioritariamente por agentes virais, mas também bacterianos, sendo as conhecidas a constipação, a gripe e a pneumonia. Sabe-se atualmente que, no seu conjunto, estas infeções são uma importante causa de morbilidade e mortalidade em todo o mundo, sendo consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a pandemia esquecida: são a principal causa de morte a nível mundial em crianças com menos de 5 anos.

A principal forma de evitar estes acontecimentos é prevenir as infeções e iniciar antibiótico o mais precocemente possível, quando indicado pelo médico. A melhor forma de prevenir as infeções respiratórias é evitar o contacto com pessoas que se suspeitem estar doentes. Porém, em determinados casos específicos há indicação para que seja feita uma vacina. A vacinação constitui um método eficaz de combate direto à doença infeciosa, porque previne a infeção na pessoa vacinada; Indiretamente, reduz a disseminação do agente infecioso. A vacinação processa-se através da resposta específica do sistema imunitário (sistema de defesa do organismo) a um determinado agente infecioso e com memorização por longos períodos. A prática de vacinação em crianças está perfeitamente instituída no nosso país através do Plano Nacional de Vacinação.

 

Medidas gerais de prevenção

Como são muitos os microrganismos que podem causar infeções respiratórias, desde constipações, gripe ou pneumonia, as vacinas existentes não são por vezes muito eficazes, pelo que existem algumas atitudes que devem ser colocadas em prática para poder diminuir o risco de infeção, como por exemplo:

  • Lavar frequentemente as mãos e ensinar às crianças a sua importância.
  • Se possível, evitar contactos íntimos com pessoas constipadas.
  • Lavar sempre as mãos após o contacto com a pele de pessoas constipadas ou com objetos tocados por estas.
  • Manter os dedos longe dos seus olhos e nariz.
  • Não partilhar o mesmo copo com outras pessoas.
  • Manter limpa a cozinha e a casa de banho, especialmente quando alguma pessoa da casa está constipada, no momento atual e futuro.

Por outro lado, se estiver doente deve também evitar transmitir a doença às outras pessoas pelo que se aconselha que:

  • Cubra o nariz e a boca com um lenço quando tossir ou espirrar.
  • Lave as mãos após tossir ou espirrar.
  • E se possível, fique longe de outras pessoas nos primeiros três dias da doença, quando o contágio é maior.

 

Constipação

É uma infeção simples das vias respiratórias superiores – nariz e garganta, que dura poucos dias a poucas semanas (geralmente, menos de duas semanas). Neste tipo de infeção ocorre uma grande destruição do revestimento interno das vias respiratórias pelo vírus.
As defesas do organismo do indivíduo afetado reagem, causando mais inflamações. Isso pode fazer com que as bactérias que estejam nas vias respiratórias se aproveitem da situação, produzindo muco (catarro) purulento que pode ser expelido pelo nariz ou pela boca. Isto explica porque, em alguns casos, uma simples constipação por um vírus pode levar uma pessoa a desenvolver uma pneumonia (infeção dos pulmões) por bactérias. A constipação termina quando o revestimento interno lesado se regenera. Só então a infeção está resolvida. As constipações podem ser causadas por cinco famílias diferentes de vírus, entre as quais a mais frequente é a do rinovírus. Devido à grande variedade de vírus, não existem ainda vacinas para proteger as pessoas destas infeções.

As constipações são muito frequentes e estão entre as principais causas de absentismo. Os adultos, em média, têm duas a quatro constipações por ano, e as crianças (especialmente as pré-escolares) cinco a nove. Estas infeções são ainda mais frequentes nos infantários. Apesar das constipações não terem tratamento específico, elas são autolimitadas.
Independentemente de usar medicações ou não, dentro de poucos dias as pessoas melhoram. Após três a quatro dias, a constipação deve melhorar, embora alguns sintomas possam persistir até duas semanas. Caso dure mais que isso, é importante a realização de uma consulta médica para investigar a possibilidade de que uma infeção bacteriana possa ter surgido após a constipação – pneumonia, laringite (inflamação das cordas vocais), sinusite (infeção dos seios perinasais) ou otite (infeção dos ouvidos).
Para que uma pessoa fique constipada, é necessário que o vírus entre em contacto com o revestimento interno do nariz. As viroses que chegam até aos olhos ou à boca também se podem estender até o nariz. Em alguns casos, a pessoa pode infetar-se pelo vírus através de outra. Uma pessoa constipada, ao espirrar, espalha gotículas no ar com muco e vírus. Uma segunda pessoa, ao respirar este ar contaminado, faz com que o vírus entre em contacto com o nariz e acabe por desenvolver a doença. Contudo, a via mais comum de transmissão destas viroses é pelo contacto direto.

 

Por exemplo: uma criança constipada toca na cara, espalhando um pouco de muco (catarro) e partículas de vírus pelos seus dedos. Ao dar a mão à mãe, transfere vírus para a pele desta.
A mãe, ao tocar no seu próprio rosto, com a mão contaminada, pode ficar também constipada. Esta mesma transferência de vírus pode ocorrer através de objetos. Uma pessoa constipada que coloca a mão no nariz e depois num copo, transfere os vírus para o copo.
Outra pessoa, ao utilizar o copo, leva os vírus para a sua mão e, levando até ao rosto, adquire a constipação. Habitualmente, as queixas surgem 1 a 3 dias após a pessoa entrar em contacto com o vírus, e podem durar até uma semana, na maioria dos casos.

 

Gripe

A gripe é uma doença viral provocada pelo vírus influenza, que se pode manifestar esporadicamente ou sob a forma de surtos provocando as epidemias ou mesmo pandemias (atingimento a nível mundial).

A transmissão da gripe ocorre sobretudo durante os espirros e a tosse (por inalação de microgotículas de secreções respiratórias).

O período de transmissão é variável entre 1-2 dias antes a 5-7 dias depois do início dos sintomas.

Os surtos de gripe ocorrem principalmente nos meses de inverno, contribuindo para isso os agrupamentos populacionais durante o inverno. Os idosos constituem um grupo de preocupação para todos pela gravidade da doença e fragilidade individual destes.

As manifestações da gripe são diversas. A sensação de mal-estar, dores musculares, dores nas articulações, dores de cabeça, arrepios de frio, febre, tosse e dores de garganta são os sinais e sintomas mais frequentes. Nas crianças a presença de prostração, náuseas, diarreia, dores abdominais e otite são também frequentes. Podem ocorrer complicações decorrentes da gripe que atingem vários órgãos ou sistemas desde o aparelho respiratório, neurológico, cardíaco, renal, muscular, entre outros.

 

A vacinação é fundamental, permitindo prevenir a gripe e suas consequências. Os principais grupos de risco com a possibilidade de doença grave e morte são indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos ou aqueles com situações médicas particulares.

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde (DGS), o Centro Nacional da Gripe e a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (CNGSPP) recomendam a vacina a:

  • Indivíduos> 65 anos.
  • Adultos e crianças com doenças crónicas pulmonares, cardíacas, renais ou hepáticas.
  • Diabéticos ou pessoas com outras situações de imunossupressão (ou seja, diminuição das defesas).
  • Crianças e adolescentes (6 meses a 18 anos) que tomem salicilatos (aspirina) por períodos prolongados.
  • Pessoal dos serviços de saúde ou outros com contacto próximo com pessoas de alto risco.
  • Coabitantes de pessoas de alto risco.

 

A vacina deve ser administrada numa única dose, exceto em crianças na idade pré-escolar, que não tenham sido imunizadas no ano anterior, as quais devem receber duas doses da vacina com intervalo de, pelo menos, 4 semanas.

Os principais efeitos secundários da vacina são a nível local, dor e vermelhidão e em termos gerais febre, mal-estar e mialgias que podem durar 1-2 dias.
Não está recomendada a vacina a menores de 6 meses de idade e nas crianças com alergia ao ovo.

A vacinação deve ser protelada na situação febril aguda.
Pneumonia

As estimativas atuais apontam para uma incidência de pneumonia de 5 a 11 casos por 1000 adultos, sendo mais elevada nas crianças e nos idosos, durante o inverno. As pneumonias encontram-se entre as primeiras 10 causas de morte nos países desenvolvidos.
A palavra pneumonia deriva do grego pneumonia que significa inflamação do pulmão.
A pneumonia pode ser provocada por diferentes agentes bactérias, vírus ou outros. O agente que mais frequentemente pode provocar é o streptococcus pneumoniae (pneumococcus).

A presença de calafrios, febre elevada, dor torácica tipo pontada, tosse e presença de expetoração são sinais e sintomas frequentes na presença de pneumonia. Pode, no entanto, ocorrer diarreia, dores abdominais ou estado confusional.

Consideram-se as seguintes medidas preventivas da pneumonia adquirida na comunidade:

  • Evicção tabágica.
  • O controlo das doenças subjacentes.
  • Correto estado nutricional.
  • Controlo da poluição (industrial e doméstica).
  • Vacinação.
  • Boa higiene oral.

A elevada prevalência de pneumonia provocada pelos pneumococos e a resistência cada vez maior destes aos antibióticos, implicam a recomendação da vacinação antipneumocócica nos seguintes casos:

  • Indivíduos> 65 anos.
  • Todos os doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica (bronquite crónica, enfisema), doença cardiovascular, diabetes mellitus, cirrose hepática, asplenia (sem baço) funcional ou anatómica.
  • Doentes imunocomprometidos.

 

Salientamos que a estimulação específica das defesas pulmonares por administração oral repetida de preparações que contêm extratos de uma variedade muito grande de bactérias (conhecidas por lisados bacterianos) demonstra-se potencialmente capaz de prevenir as infeções respiratórias. Essas preparações podem ser administradas por via oral e outras por via injetável (intramuscular e subcutânea).

As infeções respiratórias podem atingir qualquer idade e podem ter vários sintomas por isso, previne-se e trate da sua saúde evitando expor-se aos vários fatores de risco.

Cuide da sua saúde!

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