Não está a conseguir engravidar? Não desespere
Talvez não saiba mas, segundo as estatísticas, a probabilidade de gravidez ronda os 20 por cento em cada ciclo menstrual e, depois de um ano de relações sem proteção, apenas 80 por cento consegue engravidar, um valor que sobe para 90 por cento no segundo ano. Concretizar o sonho de ter um filho é uma viagem pelo desconhecido para a qual o casal deve preparar-se. Podem surgir problemas, mas também existem soluções e importa saber, desde cedo, gerir a ansiedade.
Unir esforços
Se ter um filho é um projeto do casal, o mais lógico seria que, em caso de problema, unissem esforços. Contudo, o diagnóstico ou até a simples suspeita de infertilidade tendem a perturbar profundamente o casal. Dúvidas, tristeza ou sentimentos de culpa são comuns e devem ser encarados como parte do processo de adaptação à nova realidade. O afeto, a proximidade e a partilha são fundamentais para enfrentar as adversidades que a infertilidade representa. Muitas vezes o próprio estilo de vida do casal tem de ser ajustado. Hábitos como o tabagismo ou consumo regular de bebidas alcoólicas devem ser evitados, uma vez que podem comprometer a capacidade reprodutiva. Existem ainda outros fatores negativos como o peso (tanto a obesidade ou baixo peso podem interferir), a toma de certos fármacos ou a alimentação.
Combater o stress
São muitos os fatores de stress vividos pelos casais com dificuldades em conceber. Por vezes, a concentração neste objetivo e a tensão vivida pode levar esquecer outras esferas da vida na qual a pessoa se sentia feliz – atividades de lazer, encontros com amigos, viagens – e pôr em risco a própria relação conjugal, tanto pela frustração que possa existir como pela “organização” da intimidade em função do calendário da ovulação. De facto, embora não exista uma relação causa-efeito entre o stress e a infertilidade, o que é certo é que está associado a perda de libido. Dados de estudos recentes, realizados pelo Instituto Kinsey da Universidade do Indiana (EUA)* defendem que ter relações sexuais, em qualquer altura do mês, gera alterações no sistema imunitário que podem potenciar a fertilidade. Segundo os investigadores, as mulheres sexualmente ativas tinham níveis mais elevados de linfócitos T auxiliares de tipo 2 presentes na preparação do útero para a gravidez. Para além destas potenciais vantagens, apostar na intimidade e romantismo contribui para reforçar a união do casal, e minimizar a ansiedade. Praticar atividades relaxantes como o yoga ou a meditação também é benéfico.
A partilha de receios, emoções seja com o parceiro, amigos ou familiares, revela-se muitas vezes benéfica. Mas, antes de revelar o seu segredo, seja criteriosa, recomendam os especialistas. Escolha pessoas que possam ajudá-la nesta fase e não aquelas que apenas trarão mais stress.
Serei infértil?
Passaram mais de 12 meses e, apesar das relações sexuais regulares sem contraceção, a desejada gravidez não acontece. A ansiedade começa a acentuar-se e não adianta ficar de braços cruzados. Perceber se existe alguma razão para a dificuldade em engravidar é possível através da realização de alguns exames. Para tal, após um ano de tentativas infrutíferas deve consultar um médico especializado em fertilidade. Este será o momento em que o médico, através da observação de ambos os elementos do casal, análise do historial clínico e do estilo de vida poderá despistar situações que podem confirmar as suspeitas de infertilidade. Na mulher, a avaliação basal, que identifica o momento da ovulação, é um dos testes a realizar nesta fase, bem como as análises hormonais. Outros exames podem ser prescritos tanto ao homem como a mulher, dependendo do caso.
A resposta da Medicina
Confirmado o diagnóstico, cabe ao médico especialista indicar os tratamentos mais adequados para cada caso. Para além do controlo e redução dos fatores de risco – alimentação, toma de fármacos, contacto com substâncias nocivas (químicos, entre outros) – a abordagem médica pode incluir tratamentos específicos. Inicialmente ou em casos mais ligeiros pode englobar a administração hormonal para regularizar a ovulação ou estimular a produção ovárica. Na ausência de gravidez espontânea com a ajuda dessas medidas, ou se a origem do problema o justificar, pode recorrer-se a inseminação intrauterina (introdução dos espermatozoides no útero por meio de um cateter), fertilização in vitro (transferência de embriões fecundados em laboratório), micro-injeção de gâmetas (técnica laboratorial para introdução dos espermatozoide diretamente no óvulo), com células reprodutoras do casal ou de dadores, se necessário.
Engravidar é, para muitos casais, um desafio marcado pela ansiedade. Encarar o problema com serenidade, preservar os laços afetivos que os unem e procurar ajuda médica especializada é a recomendação a seguir.



























