Próstata: quando o crescimento é benigno
O que é a próstata?
É um órgão que envolve a porção inicial da uretra (tubo que conduz a urina da bexiga até ao pénis) e cuja função principal é a secreção de elementos componentes do sémen, participando na sua propulsão através da uretra durante a ejaculação.
Medo ainda prevalece
Assiste-se, hoje, a uma maior preocupação dos homens pelas doenças prostáticas, particularmente no que se refere ao diagnóstico e tratamento do cancro da próstata, que é o cancro mais frequente no homem, logo a seguir ao cancro da pele, e a segunda causa de morte por cancro. Apesar de tudo existem, ainda hoje, razões pelas quais os homens não consultam o médico: a noção errada de que os sintomas urinários são um acontecimento normal da idade; o medo de um diagnóstico de cancro; o receio da cirurgia e potenciais complicações; a relutância em discutir os sintomas urinários e da esfera sexual com o médico de família e, até, o medo de serem submetidos a um toque retal, exame necessário para a observação da próstata.
Patologias da próstata
Os perigos de um diagnóstico tardio das doenças da próstata, fase em que o tratamento já não será tão eficaz, devem fazer os homens superar estes receios. É de salientar que 80% das doenças da próstata são devidas ao seu crescimento benigno e apenas 18% são devidas ao cancro. Este crescimento benigno da próstata, denominado Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP), é o grande causador dos sintomas urinários que afetam os homens, especialmente a partir dos 50 anos de idade. Devemos salientar que a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) não é cancro e não causa cancro. As duas doenças podem até coexistir e aparecer em alturas diferentes da vida de um homem.
Crescimento da próstata
Habitualmente, a partir dos 30 anos de idade, por fatores hormonais e outros ainda não completamente esclarecidos, começa o crescimento do tecido prostático com a formação de nódulos na zona interna da próstata e à volta da uretra. Assim, cerca de 50 a 60% dos homens com 60 anos e mais de 80% dos homens com 80 anos de idade apresentam algum crescimento da próstata. Apesar disso, só numa parte destes homens (cerca de 1/3, aos 60 anos) é que a próstata estará aumentada para a palpação e só metade dos homens com Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) vão ter sintomas provocados pela doença.
Sintomas mais comuns
Apesar do aumento de volume da próstata (Hiperplasia Benigna da Próstata – HBP) nem sempre originar sintomas, nalguns homens este crescimento pode provocar o aperto da uretra e dificuldade em urinar, assim como alterações no músculo da bexiga com aumento da frequência urinária. Os sintomas variam muito de intensidade de homem para homem e afetam de forma diferente a sua qualidade de vida. Habitualmente, os sintomas mais frequentes são o jato urinário mais fraco e fino, dificuldade em iniciar a micção, micção prolongada, por vezes interrompida ou intermitente, sensação de que houve esvaziamento incompleto da bexiga, gotejo no final da micção, aumento da frequência urinária diurna e noturna e dificuldade em suster a micção (imperiosidade miccional). Estes sintomas podem ou não coexistir ao longo do tempo, manter-se ou aumentar de intensidade.
Consulte o médico
Qualquer um dos sintomas referidos constitui um motivo para consultar o médico. A dor e/ou ardor durante a micção, sintomas pelos quais muitos homens esperam para se decidirem a marcar uma consulta médica, só raramente são devidos à Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP), sendo mais frequentemente sinónimo de infeção urinária, esta sim já uma complicação do crescimento prostático. De igual modo, o aparecimento de sangue na urina (hematúria) e a impossibilidade súbita de urinar (retenção urinária aguda) são sintomas graves desta doença que obrigam a intervenção médica rápida e adequada. Algumas doenças da bexiga e de outros órgãos, como doenças neurológicas, podem provocar sintomas semelhantes à doença prostática e só o diagnóstico diferencial feito pelo médico poderá esclarecer a situação.
A Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) é, muitas vezes, considerada como causa de disfunção sexual mas, na verdade, as alterações da ereção e do desejo sexual só raramente podem ser atribuídas a esta doença.
Vigilância anual
Aconselha-se uma vigilância adequada, no mínimo anual, em todos os homens com Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP). Com esta atitude estamos igualmente a fazer o diagnóstico precoce de cancro da próstata. Este despiste é feito pelo toque retal (palpação da próstata) e por uma análise de sangue – o PSA (Antigénio Específico da Próstata). Internacionalmente, as associações de urologia aconselham todos os homens a fazerem uma observação anual deste órgão a partir dos 50 anos e, caso haja familiares diretos que sofram ou tenham tido cancro da próstata, a partir dos 45 anos de idade.
Outros exames
Existem exames mais especializados, utilizados na avaliação do doente com Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP), como a urofluxometria (mede parâmetros relacionados com o jato urinário) ou o exame ecográfico da próstata (avalia a morfologia do órgão), mas que são aconselhados apenas em determinados doentes e após observação médica.
Nem todos os doentes com Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) têm sintomas e alguns só têm sintomas muito ligeiros que não afetam a qualidade de vida, pelo que uma atitude de vigilância pode ser considerada. Existem medidas gerais que podem ser associadas, tais como evitar viagens prolongadas, estar sentado muito tempo, evitar excessos alimentares e corrigir alterações do trânsito intestinal, como a obstipação.
Aliviar os sintomas
Para os doentes com sintomas que afetem o bem-estar diário, existe hoje em dia, medicamentos altamente eficazes. Há dois grupos principais onde se destacam o finasteride ou o dutasteride e os alfa-bloqueantes. Os primeiros provocam, ao longo de 6 meses, a redução do volume da próstata, e consequentemente, melhoram a obstrução e o fluxo urinário. Os alfa-bloqueantes relaxam o tecido muscular a nível da próstata, fazendo com que o aperto provocado por este órgão na uretra seja menor, facilitando também a micção. Estudos científicos recentes mostraram que a associação dos dois fármacos reduz a possibilidade de se vir a sofrer de retenção urinária aguda e a necessidade futura de intervenção cirúrgica.
Métodos cirúrgicos
O tratamento cirúrgico é atualmente reservado para homens com sintomas severos que não se resolvem com a terapêutica medicamentosa ou que tenham retenção urinária, infeções urinárias repetidas, crises de hematúria e alterações significativas da bexiga ou rins. Os métodos cirúrgicos mais utilizados são a resseção endoscópica da próstata, conhecida por RTU. A cirurgia aberta (realizada através duma incisão no abdómen) é apenas reservada a 5% dos doentes com próstatas de grande volume.
Estas cirurgias não previnem o cancro da próstata o que torna obrigatória uma vigilância regular. Também não influenciam a potência sexual ou o orgasmo.
















