Obesidade infantil, a epidemia do século XXI
O que é a obesidade infantil?
A obesidade na criança é definida pela presença, na composição corporal, de um excesso de gordura em relação ao tecido magro. O grau de obesidade pode ser calculado pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Na criança, a composição corporal varia ao longo do tempo e, também, conforme o sexo. A quantidade de gordura aumenta no primeiro ano de vida, para depois diminuir, havendo de seguida um novo aumento chamado “ressalto de adiposidade” na idade pré-pubertária, mais precoce nas raparigas que nos rapazes.
Excesso de peso e obesidade
Assim, é necessário relacionar o Índice de Massa Corporal (IMC) com a idade e o sexo, havendo tabelas próprias. Considera-se que há excesso de peso quando o Índice de Massa Corporal (IMC) está entre os 85% e os 95% e obesidade quando este ultrapassa os 95%. Em Portugal, tal como nos países desenvolvidos e mesmo em alguns países em desenvolvimento, tem-se assistido nas últimas décadas a um aumento preocupante de incidência de obesidade nas crianças e adolescentes.
Consequências da obesidade
A obesidade na criança e, principalmente, no adolescente tem uma relação direta com a sua evolução para a obesidade na idade adulta (três em cada quatro adolescentes obesos tornam-se adultos obesos).
A obesidade no adulto resulta numa maior suscetibilidade à doença e mortalidade ligada a doenças cardiovasculares, hipertensão, e diabetes tipo II, entre outras patologias.
Estudos a longo prazo demonstram que crianças e adolescentes obesos apresentam, ao fim de 40 anos, uma mortalidade por doenças cardiovasculares e digestivas superior aos não obesos.
A obesidade pode provocar, nas crianças e adolescentes, doenças como a diabetes tipo II, classicamente a diabetes do adulto mais idoso, mas que tem surgido mesmo em crianças de seis anos: problemas ortopédicos (nomeadamente ao nível da bacia e do fémur), apneia do sono e baixa autoestima.
Por que surge a obesidade?
Nas crianças, como no adulto, a deposição de gordura do organismo deve-se a um desequilíbrio entre as calorias que se ingerem na alimentação e as que se gastam no dia a dia, principalmente através da atividade física. Quando se ingerem mais calorias do que as que se gastam, há um aumento exagerado de peso que, a médio prazo, conduz à obesidade. O excesso do aporte resulta da oferta exagerada de alimentos muito calóricos, de alta palatibilidade e que geram pouca saciedade, como os refrigerantes, doces, chocolates, aperitivos e fast-food.
O peso das calorias a mais
Perdas e ganhos moderados de calorias representam alterações significativas de peso: assume-se que 5 a 10% de aumento do aporte calórico diário pode levar a um aumento de 13% do peso em dois meses. Por outro lado, uma redução de 100 Kcal/dia pode levar a uma perda de 5 kg num ano. O consumo de fast food aumentou 300% nos últimos 25 anos e a densidade enérgica destes alimentos é duas vezes superior às dietas tradicionais. A oferta de energia por este tipo de alimentação pode representar o acréscimo de 187 Kcal/dia.
Os refrigerantes representam também uma importantíssima fonte de calorias adicionais e têm contribuído para a epidemia da obesidade. O consumo regular destas bebidas representa um aumento diário de 188 Kcal.
E do sedentarismo
A diminuição da atividade física relaciona-se com os padrões sociais e comportamentais da sociedade dos nossos dias. As crianças são hoje mais sedentárias, atraídas pelo “tempo de ecrã” (TV, computadores, consolas de jogos). De facto, nas crianças, o exercício físico resulta habitualmente de atividades não estruturadas (correr, jogar à bola em qualquer espaço, subir escadas), sendo esses hábitos impedidos por falta de segurança nas ruas para o desporto ao ar livre e pela utilização sistemática de elevadores para aceder a andares mais altos. Para além disso, gera-se um ciclo vicioso em que o ganho de peso excessivo vem tornar mais difícil a atividade física por cansaço mais rápido do praticante.
Prevenir a obesidade infantil
- Aleitamento materno: Existe uma relação positiva entre o período do aleitamento materno e o menor risco de obesidade: um bebé amamentado por um período superior a nove meses tem um risco de 0,6% de se tornar obeso contra um risco de 1% quando o aleitamento é inferior a um mês.
- Padrões familiares de obesidade:O risco de obesidade numa criança é maior se um dos pais for obeso e muito maior se ambos forem obesos, devido a fatores genéticos de maior eficiência no armazenamento das calorias ingeridas. Independentemente da obesidade dos pais, a composição corporal do adolescente é decisiva para a composição corporal do adulto em que se tornará.
- Idade:Quanto maior for a precocidade no ressalto da adiposidade em criança (quando começa a engordar pelos cinco ou seis anos), maior é o risco de ser um adolescente obeso.
Ajude o seu filho a emagrecer
A não ser em casos extremos, não se deve procurar que uma criança perca peso intensamente. Uma dieta demasiado restrita pode levar a uma diminuição de nutrientes (nomeadamente proteínas e cálcio) necessários para o crescimento. O objetivo da redução calórica modesta (diminuir apenas 100 Kcal/dia pode levar à perda de cinco kg num ano) é que a criança cresça sem ganhos ou perdendo pouco peso, o que irá permitir a normalização do Índice de Massa Corporal (IMC).
- Deve ser encorajada uma dieta saudável, rica em produtos de origem vegetal (verduras, frutas, cereais) suficiente em produtos animais (peixe, carne e ovos) e lácteos (leite magro ou meio gordo, iogurtes, queijo pouco gordo). Os snacks e os produtos com açúcar adicionado (refrigerantes, bolos, doces, cereais achocolatados ou com mel, guloseimas) devem ser abolidos.
- Procure que a criança coma à mesa, em família, e evite as visitas aos restaurantes de fast-food.
- Evite que a criança coma demasiado às refeições, incentivando-a a comer devagar, começando pela sopa e usando, se necessário, a “Regra dos 20”: quando ela tiver vontade de repetir, esperar 20 minutos, tempo suficiente para que os alimentos passem para o intestino e comuniquem ao cérebro sinais de saciedade que levam a criança a não ter mais apetite naquela refeição.
- A criança deve tomar sempre o pequeno-almoço e não estar mais de três horas sem comer.
- Entre as refeições incentive o consumo de alimentos pouco calóricos (peça de fruta com casca, barra de cereais integrais, bolacha integral ou iogurte).
- Fomente a prática de exercício físico, que deve ser “não estruturado” nas crianças pequenas, como jogar à bola ou “às escondidas”, andar de bicicleta, subir escadas a correr. Nos adolescentes, o exercício deve ser “estruturado”, como acontece nas práticas desportivas – de preferência em grupo.
- O “tempo de ecrã” não deve ultrapassar uma hora por dia e nunca se deve permitir a TV no quarto da criança, facto que representa um acréscimo de mais 0,64 horas diárias.
- O combate à obesidade e às suas consequências tem de ser ganho em idades pediátricas, no seio da família e na escola.
3 Razões para o seu filho ver menos TV
- Tem uma atividade física baixa ou nula durante esse período.
- Consome alimentos habitualmente muito calóricos.
- As mensagens publicitárias destinadas ao público infantil encorajam o consumo de alimentos que engordam.
















